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16 de Outubro de 2018 Valdemiro Lopes

O mar como estrategia em Cabo Verde

Na imagem Sao Vicente

Se a pesca per si é uma actividade económica das mais importantes para o nosso arquipélago, os actores económicos, políticos e institucionais, têm de ver mais longe, investindo na pesca profissional ao largo e no transporte marítimo inter ilhas. A necessidade de uma pequena frota para ligação entre as ilhas é mais que necessária, para reduzir assimetria entre regiões mais isoladas, facilitando e intensificando negócios, circulação de pessoas e aumentando o consumo interno, combatendo na pratica, pobreza, criando valores e melhores oportunidades de empregabilidade para a juventude cabo-verdiana.

Criou-se oportunamente finalmente, um ministério exclusivo dedicado ao que chamamos de economia azul, que abrange todas as actividades económicas ligadas directa ou inderectamente, ao mar. Atitude e decisão louvavel vindo da urgência de explorar a economia marítima e, da pressão da globalização, sobre estas ilhas. Cabo Verde precisa ainda de mais Estado, mas não de maneira sufocadora, quase monopolista, mas sobretudo dotado de Instituições mais ágeis, uteis e menos burocráticas, e temos de reconhecer que para termos melhores cidadãos, o país tem de investir mais na educação cívica e profissional todo em apoiando as famílias.

Ir mais a fundo, na técnica de transformação e conserva de produtos alimentares, sensibilizando a nova geração, sob orientação técnico pedagógica de instituições de ensino técnico profissional, secundário e superior, em todas as nove ilhas habitadas, para se poder incentivar, atracção de investimento seguro em produtos tanto para o mercado interno como para a exportação. Poderá significar a breve trecho inovação extraordinária com surgimentos de novos e mais produtos e reactivação de unidades fabris agro pecuário como a antiga fabrica Justino Lopes em Santa Cruz, Santiago, conserva pesqueira na Praia e Tarrafal, ainda mesma ilha, em Ponta do Sol, em Santo Antão, mesmas acções também nas ilhas da Boavista e Maio e viragem industrial na produção do café, aguardente…quiçá novos produtos: cachupa pré guisada, a onde acrescentaríamos outros ingredientes, feijoada enlata, como o cassoulet francês, feijão pré cozido enlatado e congelado, peixe fumado e muitas outras especialidades gastronómicas, cozidas, transformadas, em conserva…  etc, significando, mais produtividade, mais emprego, mais consumo interno…   

Para termos jovens empreendedores, só a vontade política não é suficiente se as condições e oportunidades reais de apoio, estiverem ausentes. Quando vermos para a juventude, fixamos, mais rapidamente o estilo, ficando sem descobrir nem perceber, o que o estilo não nos informa: a emoção que os jovens valorizam e a organização social que defendem, mesmo se houver utopia. Os jovens não estão interessados unicamente em entretenimento: festas, festivais musicais, etc… eles querem e defendem, com mais ou menos garras, o seu ganha-pão e aspiram á independência económica. Querem e exigem melhor qualidade de vida, oportunidade de emprego, formação e reagirão mais positivamente, vendo resolvidos a maioria dos seus problemas, com mais educação, ficarão, mais moderados e disponíveis a investirem-se mais nos percursos da vida profissional, projectos e ideias.

São jovens da televisão, dos telemóveis, tabletas, portáteis, redes sociais, Internet…, uma geração que não tem nostalgia do passado, que não conheceram, querem ver para frente e são detentores de ideias novas, com outras aspirações artísticas, culturais, e estão mais bem informados do que as gerações precedentes e tendo acesso entre outros a credito para financiarem seus projectos, serão auto empreendedores e uteis ás suas comunidades.

A juventude cabo-verdiana, utiliza os médias sociais, para criar e ou anunciar um produto, serviço, marca etc, agindo e comportando-se como empresarios, possuidores de algo que precisa ser promovido e mesmo não estando a vender nada, estamos praticamente todos a promover algo, ideias e outros, agindo e inter agindo como um eu do mundo moderno sensivelmente empreendedo !

O mundo mudou neste planeta terra e este pequeno país que é o nosso, está confrontado, embora possuidor de parcos recursos, ao egoísmo económico transfronteiriço, que como tubarão, engole tudo e força-nos a uma posição de não imobilismo e a uma tomada de consciência e mudança de estratégia necessária para encontrarmos solução aos problemas e desafios, que temos pela frente, na construção de um Cabo Verde moderno.

O nosso modo de vida, hábito alimentar, estão intimamente ligados, no quotidiano, consciente ou inconscientemente ao Mar, que nos rodeia e nos une como país arquipelágico. Activar mais e melhores praticas comerciais e industriais, na economia produtiva marítima, é tirar maior vantagem e mais valia da nossa zona economica maritima exclusiva.

Intervenções, sob a forma de produção industrial, pesca profissional ao largo, transporte… em parcerias ou com as nossas próprias forças, vai nos ajudar a produzir e a exportar mais, a encorajar o consumo interno, criando emprego, fazendo crescer a economia.

Apostando no Mar, não estaremos a entrar de pé mais firme, na mundializaçao, criando mais valor acrescentado e explorando para o nosso próprio proveito a zona economica maritima exclusiva cabo-verdiana, diversificando a economia, que passará a não depender, exclusivamente, na sua vertente criadora de riqueza, unicamente do factor turismo de sol e praia!!

O Mar, sempre o Mar eternamente presente e sempre amigo, á espera por nós…

Tempo exterior: Revista de análise e estudos internacionais