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5 de Outubro de 2018 Valdemiro Lopes

Crescimento cooperativo

O naufragio do navío Vicente causou 15 mortos no 2015

O executivo cabo-verdiano deve assumir suas responsabilidades e estimular a confiança dos cidadãos nas instituições públicas… Nunca saberemos eliminar as catástrofes, mas estas independentemente das suas cargas negativas imediatas, essas tragédias, têm o dom e induzem noções que nos obrigam a ser mais organizados, aprendendo, prevendo e preparando o futuro para não cometermos, em todo caso, os mesmos erros. Uma coisa é certa no caso do naufrágio do malogrado navio “Vicente”, a opinião pública, constatou que os mecanismos de controlo e segurança eram inexistentes e vidas foram ceifadas. A intervenção do governo, atribuindo, pensão de sobrevivência às famílias das vítimas mortais, assegura, que o executivo se preocupa com as pessoas e assume suas responsabilidades.

Bem-haja, mais políticas de “soluções”, com implicações directas no melhoramento das vidas das pessoas em todas as nove ilhas habitadas sem exceção.

Analisar e ter em conta, críticas construtivas e o princípio do contraditório, vai assegurar e “empoderar”, a vontade política do governo, em trazer “soluções” orientadas para as pessoas, e ao serviço do progresso da nação cabo-verdiana, e todo o seu povo, o residente e a diáspora.

A humildade não significa, deixar-se influenciar por arbitrariedades e arrogâncias, emergentes sempre das mesmas áreas e elementos, que não apresentam soluções alternativas, mas que refugiam-se na estratégia simplista e cínica da reclamação de resultados apressados, portanto o doente está ainda em estado de convalescença e a maioria, dos cabo-verdianos, vive esta realidade, no seu dia-a-dia e sabemos, sobremaneira que ontem não era bom, acreditando que o amanhã, será melhor, o clima é de confiança e a legislatura dura por cinco anos, aliás, entre a continuidade e ruptura, o povo fez a sua escolha, no escrutínio de 20 de março de 2016.

A política de descentralização administrativa, destina-se a aumentar a autonomia das regiões e ilhas. Os meios e instrumentos disponibilizados e por transferir, criarão intencionalmente boas oportunidades de arranque para melhoria das condições socioeconómicas da população nas ilhas e regiões.

Os governos locais dispõem, agora, de mais meios e competências, para fazerem melhor. Os valores orçamentais, municipais, para 2018, nos vinte e dois municípios, cresceram, substancialmente, relativamente aos anos anteriores. A utilização inteligente desses “capitais e competências” criará condições para o crescimento económico e confirma, a vontade política de combater assimetrias regionais.

A simbiose da nova política de redistribuição aliada a princípios de solidariedade, participação, cooperação, para a salvaguarda e respeito dos direitos dos cidadãos, pode influenciar a criação de autossuficiência, isto é, permitir a todos, quase sem discriminação a ter acesso á alimentação, saúde, educação, cultura, habitação condigna, lazer... É o ideal e a meta a atingir. Uma verdadeira, simbiose socio cultural baseada em trazer felicidade aos cidadãos cabo-verdianos em todas as ilhas habitadas deste arquipélago.

Não queremos ficar indiferentes ao problema de isenção de vistos aos visitantes do nosso país, se isso se materializar, deverá ser coberto de maneira irrefutável, pelo sacrossanto, princípio de reciprocidade e a permanência, com duração, máxima de 90 dias. No presente momento e conjuntura, em todo o mundo ocidental, dos USA á Europa, o momento é do “fecho das fronteiras”. Dois acontecimentos políticos maiores surpreenderam, até ainda o mundo; primeiro a saída do Reino Unido, da União Europeia, segundo a eleição do novo presidente dos Estados Unidos da América. A Europa digere mal, seus problemas de “refugiados”, os “atentados terroristas” “desemprego”, “estagnação económica” e está mergulhada em incertezas…

Cabo Verde é um país frágil, temos que proteger a nossa “economia de subsistência”, a nossa cultura, nosso meio ambiente, nossos valores tradicionais…Devemos analisar bem os ganhos e sobretudo os riscos de ter um país “sem fronteiras”, para os nossos hóspedes, (que não farão a mesma coisa em relação a nós). O que atrai os nossos visitantes, é a nossa estabilidade política, a localização geográfica, a poucas horas das principais capitais europeias, a nossa cultura, sobretudo a musical, a possibilidade de se poder fazer, o turismo durante o ano inteiro..., etc. Pagar ou não pagar visto de entrada, tem pouca influência na decisão da escolha de Cabo Verde, como destino turístico. O sossego, a cultura a estabilidade e a tranquilidade sim!

O trabalho de casa que devemos fazer, é qualificar a oferta, implementar a segurança alimentar, garantir a segurança física de todos, ser mais competitivo, diminuir a burocracia, criar mais condições para atrair investimento externo directo, diversificar a oferta, criar condições, para que o turismo chegue a todas as ilhas, certificar os nossos produtos, para permitir que a cheguem a esse mercado sempre em crescimento, controlar os preços para se poder evitar o aumento dos custos de vida, combater a especulação imobiliária…,etc.

O nosso desejo é ver Cabo Verde modernizar-se e crescer, privilegiando regras mais equilibradas, favorizando justiça social e criando emprego jovem.

Tempo exterior: Revista de análise e estudos internacionais