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24 de Outubro de 2018 Fraccaroli

As eleições brasileiras (III). Os números das eleições

Com a colaboraçao de Vinicius Fernandes, mestrando do programa de pós-graduação em Mudança Social e Participação Política (EACH/USP)
Fonte: Xinhua

Finalizado o horário oficial permitido para votação, começamos a acompanhar as chamadas pesquisas boca-de-urna e a apuração dos cargos estaduais. Nessas pesquisas, já era possível identificar um aumento dos votos no candidato Ciro Gomes, entretanto, o que chamava mais atenção era uma onda pró-Bolsonaro de última hora. Cabe mencionar que um vídeo ​fake circulou no país, o qual mostrava uma urna onde ao se pressionar o número 1, automaticamente aparecia a figura do presidente Haddad, de número 13, sendo o número de Bolsonaro 17. 

Os assuntos mais comentados se referiam a resultados muito diferentes das pesquisas realizadas, como, por exemplo, as candidaturas de Eduardo Suplicy e de Dilma Rousseff ao Senado, por São Paulo e Minas Gerais respectivamente. Ambos apareceram em primeiro            lugar durante todo o processo eleitoral e terminaram em terceiro e quarto lugar respectivamente. Em Minas Gerais, houve um crescimento da candidatura de Romeu Zema do Partido Novo, rompendo com a polaridade PT/PSDB do Estado, deixando a candidatura de Fernando Pimentel (PT), atual governador, para trás e disputando o segundo turno com Antônio Anastasia (PSDB). 

No Rio de Janeiro, também surpresa: o candidato apoiado pelo PSL, Wilson Witzel do Partido Social Cristão (PSC) atingiu 41% dos votos válidos, desconhecido até então figurava na 5ª colocação nas pesquisas eleitorais, desbancou não apenas Romário do Podemos (PODE), ex-jogador e senador, mas também Eduardo Paes Democratas (DEM), ex-prefeito da capital do Estado, que liderava as pesquisas até então.  Vale ressaltar também a expressiva votação de Tarcísio Motta (PSOL), que terminou com 10,72% dos votos válidos, estabelecendo uma das maiores marcas de votos do jovem partido de esquerda em disputas do Executivo estadual. 

Às 19h foi divulgada a primeira parcial das eleições presidenciais que demonstrava o candidato Bolsonaro próximo de uma vitória em primeiro turno com 49,02% dos votos válidos e Fernando Haddad com 26,09%. Sem embargo, esse resultado se alteraria, conformando o previsto segundo turno, em razão de que a maioria das urnas que restavam para serem apuradas eram localizadas no Nordeste, região de comportamento político mais à esquerda, onde o próprio PT elegeu três candidatos ao governo em primeiro turno (Ceará, Bahia e Piauí) e está no segundo turno em um estado (Rio Grande do Norte). Foram comemoradas pelo partido as vitórias em primeiro turno dos aliados Paulo Câmara (PSB) no Pernambuco, Renan Filho (MDB) em Alagoas e Flávio Dino (PCdoB) no Maranhão. Além disso, o PSB venceu também na Paraíba e está no segundo turno das eleições de Sergipe. 

Situação política diferente ocorreu no Centro-Oeste, onde o Partido Humanista da Solidariedade (PHS) de centro direita venceu em primeiro turno no Tocantins, e o partido de direita Democratas (DEM) venceu em Mato Grosso e Goiás. No Mato Grosso do Sul, disputam PSDB e PDT, com liderança do partido social-democrata, e no distrito federal, disputam MDB e PSB. A região sul também seguiu seu histórico mais à direita elegendo em primeiro turno Ratinho Jr (PSD) no Paraná. Em Santa Catarina, disputam PSL e PSD no segundo turno, e no Rio Grande do Sul, disputam MDB e PSDB.

No Sudeste, apenas no Espírito Santos tivemos definição em primeiro turno, com a vitória de Renato Casagrande do PSB. Em São Paulo, Marcio França (PSB) surpreendeu, desbancando por poucos votos Paulo Skaf (MDB), e disputará o segundo turno contra João Dória (PSDB). Como já afirmado, Minas Gerais e Rio de Janeiro terão também eleições no segundo turno entre candidatos de centro-direita e direita. 

Na região Norte, presença marcante dos partidos de direita com a vitória do Partido Progressista (PP) no Acre, rompendo a hegemonia de quase vinte anos do PT, sob a liderança dos irmãos Vianna. Para segundo turno, disputa entre PSC e PDT no Amazonas e  a dobradinha PSL e PSDB em Rondônia e Roraima. No Pará e no Amapá, situação ainda indefinida com a disputa entre PSC e PDT, e no Pará entre MDB e DEM. 

Com 99% das urnas apuradas, de um total de 117.364.414 votos, sendo 107.050.530 válidos, 3.106.936 em branco e 7.206.202 nulos, Jair Bolsonaro ficou na primeira posição com 46,03% dos votos (49.276.897 votos) sucedido por Fernando Haddad em segundo com             29,28% dos votos (31.341.997 votos) com quem concorrerá no segundo turno. Ciro Gomes ficou em terceiro com 12,47% (13.344.353 votos), sucedido por Geraldo Alckmin com 4,76%, João Amôedo com 2,50%, Cabo Daciolo com 1,26%, Henrique Meirelles com 1,20%, Marina Silva com 1%, Álvaro Dias com 0,80% e Guilherme Boulos com 0,58%.

No Legislativo, para além dos números já mencionados, cabe mencionar o aumento expressivo de policiais e militares, de 18 para 73 representantes no Poder Legislativo, passando de 12 para 56 nas Câmaras Estaduais e Distrital, de 6 para 14 na Câmara dos Deputados Federais e de nenhum para agora 3 representantes no Senado. O PSL multiplicou por quatro seus representantes nas assembleias estaduais e distrital, sendo menor apenas que as bancadas de MDB e PT, que sofreram diminuição no número de cadeiras nessas casas e também nas duas casas do Congresso Nacional.  O número de partidos diferentes representados nas assembleias estaduais e distrital subiu de 28 para 32, de 15 para 20 no Senado e de 25 para 30 na Câmara dos Deputados Federais.

Sobre essa questão, cabe recordar que com as novas regras eleitorais aprovadas em 2017, estabeleceram as cláusulas de barreira, que determinam regras para o acesso ao fundo partidário, verba de gabinete (assessoria) e tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV. Segundo levantamento prévio da Câmara dos Deputados, 14 dos 35 partidos brasileiros não atingiram a meta (Rede, Patriota, PHS, DC, PCdoB, PCB, PCO, PMB, PMN, PPL, PRP, PRT, PSTU e PTC). Tais medidas deverão incentivar o fim de muitos partidos fisiológicos e a fusão de partidos próximos, contribuindo para a diminuição do grande número de partidos políticos no país.    

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Tempo exterior: Revista de análise e estudos internacionais