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África pode finalmente respirar?
Por Nelson Xavier (Titulares, 02/10/2005)
 
 

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Na verdade para responder o longiquo sofrimento "inquieto", a magoa secreta, agónia, as exortações, os cânticos, para satisfazer as almas e obviamente para secar os rios de suor e de lágrimas dos nossos antepassados, era bom que África pudesse finalmente respirar! Afinal África é um dos continentes mais pobres do mundo. Espero muito sinceramente que os discursos de Blair e Bush não passem nunca duma simples e triste retórica.
 
Será desta que um britânico, um líder “trabalhista”, um primeiro-ministro, presidente de EU, presidente do G8 […], estará disposto a fazer mão de ferro com seus acólitos do G8 e ocidentais, puxando-os as orelhas surdas e convida-los a rescrever a história dos pobres de África? Pois bem, contra todas as expectativas o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, mais uma vez com sua astúcia, surpreendeu não só aos britânicos, como também a mundo em geral, ao eleger África e Meio Ambiente como temas prioritários para sua presidência do G8.

Com esta grata surpresa, coragem, convicção e dedicação (esperemos que assim seja), o senhor Blair, estará na lista de espera ou de suplentes, para fazer parte da lista dos grandes, lista dos que deram a vida pelos oprimidos (Mahatma Ghandhi – libertou um continente, Marcus Garvey – um dos mentores do Movimento Pan-Africano e encorajador do nacionalismo e orgulho étnico negro, Hailé Selassié I - Defensor da Moralidade Internacional, Martin Luther King – libertou um povo, Bob Marley – deu vos a populaça, denunciou a opressão, a pobreza e desigualdade (...), Nelson Mandela – libertou um país, Tony Blair – […?]).

Paralelamente a iniciativa Blair, o novo presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz (um dos principais arquitectos da guerra do Iraque), quer transformar o combate à pobreza na África como prioridade da sua presidência naquele organismo. Porém, é nesta âmbito que coloco a minha indagação: África pode finalmente respirar? Os governantes e/ou dirigentes africanos estarão preparados e interessados em conduzir África a alcançar as Meta do Milenio, para o ano 2015?

Na verdade para responder o longiquo sofrimento "inquieto", a magoa secreta, agónia, as exortações, clemência (em forma de cânticos), para dar paz e glória as almas “inquientas” e obviamente para secar os rios de suor e de lágrimas dos nossos antepassados, era bom que África pudesse finalmente respirar! Afinal África é um dos continentes mais pobres do mundo. Espero muito sinceramente que os discursos de Blair e Bush não passem nunca duma simples e triste e desgraçada retórica.

Esperemos que a experiência do passado possa servir de exemplo e que a curto ou médio prazo, os esforços do G8, Organismos Internacionais e particularmente da Comunidade Internacional possam ter resultados satisfatórios e que as Metas do Milénio “traçadas pela ONU no ano 2000”, sejam finalmente alcançadas!

De todas as formas, é digno o reconhecimento de que por de traz do perdão da divida externa, os interesses económicos dos países credores devem ter um papel muito importante! Na minha modesta opinião, sejam quais forem os motivos que estão por detrás do perdão, a iniciativa é bem vinda, poís lança também um grande desafio a regimes que ocupam lugares chaves no ranking da corrupção (Camarões, Nigéria, Tanzânia, Quênia, Angola, Togo, Benin, Moçambique, Zimbabwe e Costa do Marfim).

Mau seria, se a iniciativa do perdão da dívida “dos mais pobres do mundo”, fosse o reflexo do fracasso da ajuda externa, ainda que esteja plenamente de acordo com a teoria do economista Adam Lerrick - Universidade Carnegie-Mellon, “cerca de 94 por cento da dívida externa dos países altamente endividados, surgiram como resultados das péssimas politicas (de ajuda oficial para desenvolvimento – AOD), de credores internacionais, tais como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, implementados desde os anos 1960.

Importa lembrar que um dos principais requizitos para o perdão da dívida externa é a implementação de reformas, para introduzir o Estado de Direito e obviamente o COMBATE a CORRUPÇÃO. Eis então a segunda indagação: Estarão os governantes africanos preparados passa passar nesse teste?

É de referir que o problema africano, não se prende apenas com a ausência ou com a falta de incentivos, por parte da comunidade internacional. O principal problema da pobreza africana prende-se com a má distribuição e o não aproveitamento dos recursos, como também com a incoerência na divisão das ajudas financeiras e de bens públicos! Por outro lado, grande parte das ajudas financeiras simplesmente não chegam aonde deveria chegar... Infelizmente, nesse aspecto há ainda muito por fazer!

Quero acreditar que com esse grato e louvável gesto do Sr. Blair e da Comunidade Internacional em geral, os países ricos, não saiam nunca desiludidos nessa feroz campanha de resgate dos países pobres, cuja esta publicamente exposta desde o principio do mês de Junho!

Na verdade, se a sociedade civil “organizada” em geral, quiser tirar ilações do passado, para fazer fé na presente iniciativa, tem de necessariamente procurar converter este momento (em que África esta desperta, para resgatar os seus verdadeiros direitos), em correlação de forças, destacando por um lado a responsabilidade africana, a generosidade europeia e o realismo norte-americano.

 
 

Nelson Xavier, master em Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, pela Universidade de Santiago de Compostela.

 
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