| Presenza-Opinión |
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| África e novos desafios Por Nelson Xavier (Titulares, 06/11/2005) |
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Entretanto, convém lembrar que, para a exequibilidade e cumprimento de todos esses Objectivos, é necessário que haja um despertar automático da consciência por parte desses povos (africanos), no sentido de encontrar uma vía pacífica para a resolução de todos os conflitos que assolam o continente. É verdade que África foi dividida a régua e esquadro; explorada e colonizada; suas civilizações destruídas, suas riquezas saqueadas e sua juventude (o seu mais importante recurso), desterrada para a escravatura etc... Mas África continua sendo um continente de iniciativas "posítivas", aonde se promove o conhecimento, a tolerância, uma cultura de paz, de democracia, de liberdade, de valores (...), ou simplesmente uma África desperta "que busca sua própria identidade" promovendo o espírito de solidariedade e compaixão para futuras gerações.
Lamentavelmente, o pesadelo "a história" do continente evidência-se no presente, aonde quase 68% da população vive no limiar da pobreza, com um elevado índice de analfabetos(2), com uma esperança de vida inferior a 50 anos(3) com elevadas taxas de mortalidade materno infantil [(4),(5)], e até em adultos(6) (causadas pela malária, tuberculose, HIV/SIDA(7) entre muitas outras doenças). Perante toda esse pandemónio de situação, sem dúvida que os africanos continuam sendo as vítimas "eternas" ao invés dos beneficiários do fenómeno da globalização. É verdadeiramente triste para africanos, pois, por sinal, continuam sendo as verdadeiras vítimas desse sistema "capitalismo competitivo", enquanto o Ocidente vai contabilizando danos colaterais desse mesmo sistema. Exposta toda essa tragédia, muitas perguntas apoderam-se sobre a mente de todos! Qual será o papel da juventude africana no equacionamento dessa crise? Estará a juventude africana suficientemente preparada e laboralmente capacitada para fazer frente aos desafios que o Continente lhes proporciona? Saberá a juventude africana tirar proveito da revolução tecnológica? Portanto, estas e muitas outras questões carecem de resposta. Apesar da ausência de respostas "por parte de todos", convém referir que África não verá nunca seus problemas resolvidos enquanto o fenómeno da globalização económica tende a transforma-se na globalização da pobreza.
Contudo, para que essas metas sejam verdadeiramente alcançadas é necessário que os governos africanos "e seus parceiros", particularmente os beneficiários do perdão da dívida e os que ainda esperam, possam adoptar estratégias muito sérias, que visem o fortalecimento da paz e estabilidade, incluindo a estabilidade macro-económica, que apostem no fortalecimento das jovens democracias, na adopção de políticas que permitam um rápido crescimento económico(8), na optimização de recursos humanos, na promoção de governo justo, na igualdade de género, na luta contra a propagação de doenças infecto-contagiosas (tuberculose, HIV/SIDA), na aquisição de ciências e tecnologias que permitam uma industrialização "competitiva", sobretudo numa clara aposta no combate à corrupção. Em matéria de agricultura, convém lembrar que é urgente que a Organização Mundial do Comércio (OMC), os governos dos países desenvolvidos e Instituições Internacionais "que regulam os mercados", adoptem uma postura coerente em matéria de Comércio Internacional, políticas que promovam estratégias, mas que sobretudo que possibilitem um comércio justo e não livre comércio.
Que os governos dos países ricos não forcem os governos dos países em vias de desenvolvimento a liberalizarem os sectores chaves: manufactura, serviços e agricultura. Que as necessidades e direitos dos povos sejam respeitados e postos por cima de interesses de empresas ou multinacionais. Que o Banco Mundial (BM) e o FMI parem de impor políticas comerciais aos países em vias de desenvolvimento "políticas essas que muitas vezes conduzem à queda livre das economias dos países em vias de desenvolvimento"! Caso contrário, o BM, o FMI a OMC (...), apadrinhados pelos governos dos países ocidentais estarão a criar condições para que os benefícios da globalização contribuam para a marginalização do continente africano. África, precisa duma oportunidade justa para puder levantar-se e trilhar seu próprio caminho!! Lamentavelmente as últimas estatísticas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico, vem alertar para uma situação preocupante, em que dos 50 dos PMA, 33 são subsaarianos. No mesmo relatório, podemos constatar também que pelo menos 6 milhões de subsaarianos são refugiados, dois terços da população mundial, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
Fazendo fé nas palavras do porta-vos do presidente da Comissão da UA, Adam Thiam, o problema de migração africana ultrapassa as autoridades ou governos africanos. Segundo ele, para solução dessa crise, é preciso que se crie um diálogo entre a Europa e a África, pois considera que imigração ilegal não é uma mera questão de segurança e que os clandestinos são apenas a "ponta do iceberg" de um problema maior. |
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Nelson Xavier, master em Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, pela Universidade de Santiago de Compostela. |
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Notas: (1) Informe sobre Desarrollo Humano, publicado para el programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo-PNUD, Ediciones Mundi-Prensa 2005, fig1.3, p23. (2) Informe sobre Desarrollo Humano, publicado para el programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo-PNUD, Ediciones Mundi-Prensa 2005, fig1.6, p27. (3) Informe sobre Desarrollo Humano, publicado para el programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo-PNUD, Ediciones Mundi-Prensa 2005, fig1.1, p21. (4) Informe sobre Desarrollo Humano, publicado para el programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo-PNUD, Ediciones Mundi-Prensa 2005, fig1.2, p22. (5) Informe sobre Desarrollo Humano, publicado para el programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo-PNUD, Ediciones Mundi-Prensa 2005, fig1.12, p32. (6) Informe sobre Desarrollo Humano, publicado para el programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo-PNUD, Ediciones Mundi-Prensa 2005, fig1.8, p29. (7) Informe sobre Desarrollo Humano, publicado para el programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo-PNUD, Ediciones Mundi-Prensa 2005, fig1.9, p30. (8) Que os governantes africanos tenham a coragem e modestia de dispir o casaco da preguiça,... que se vistam de coragem e que façam do perdão uma “chave de ignição” que abrirá as portas duma nova era para o continente. |
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